Quem procura um carro seminovo deve ficar atento à revisão e averiguar se nenhum
item importante ficou de fora. Eventuais problemas precisam ser consertados pela
concessionária que vendeu o automóvel
* Publicado em 28/04/2008 | Estelita Hass Carazzai, Colaborou Jadson Tinelli
A lista é grande: bicos injetores, correia dentada, ar-condicionado, luzes,
suspensão, volante, óleo, motor. O check list da revisão de um automóvel contém
mais de 80 itens, e deve ser cuidadosamente examinado pelo consumidor a fim de
evitar problemas posteriores – especialmente na compra de um carro usado. A
revisão é a garantia de que ele está recebendo um produto em boas condições de
uso, e que, pelo menos por um bom tempo, não irá se preocupar com manutenção ou
idas a oficinas – ao menos na teoria.
A consumidora Graziele Borsatto apostou na teoria. Na primeira semana de março,
ela e o marido compraram um automóvel ano 2002 na concessionária Barigüi
Seminovos. Com o check list em mãos e garantia de três meses para motor e caixa
de câmbio, prevista em contrato, eles retiraram o carro da loja no dia 6 de
março, depois de uma revisão e do polimento do veículo. Em uma semana, o
automóvel já havia apresentado seis diferentes problemas: farol e luz interna
estragados, vazamento de óleo, infiltração de água no lado do passageiro,
desembaçador traseiro estragado e problema na suspensão. “Isso leva a gente a
entender que o veículo não foi revisado. Como é que um carro em que é feito
check list tem o farol queimado?”, reclama Graziele.
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A coordenadora de atendimento ao cliente do Grupo Barigüi, Luciana Esteves
Fernandes, alega que a revisão pode deixar passar pequenos problemas, que só são
percebidos com o uso do veículo. “Às vezes, não há como identificar um
determinado problema numa primeira revisão. A gente não vai andar com o carro
durante 10 dias. A revisão e o test drive podem não contemplar todas as
situações que o cliente vai enfrentar no dia-a-dia, e por isso ele pode perceber
outros problemas quando usá-lo.”
Luciana também destaca que a revisão é feita no momento em que o carro entra na
loja, dias ou semanas antes de o cliente adquirir o produto. “O veículo fica no
pátio durante uma semana, dez dias em média. Nesse meio tempo, uma lâmpada pode
queimar, por exemplo.”
A recomendação da advogada e coordenadora institucional da Associação Brasileira
de Defesa do Consumidor (ProTeste), Maria Inês Dolci, é que o cliente sempre
faça uma segunda avaliação do veículo com um mecânico ou funileiro de confiança.
As concessionárias costumam não impor barreiras à avaliação do carro,
priorizando a transparência no atendimento. “Aspectos menos evidentes ao
consumidor podem ser avaliados por essas pessoas”, diz Maria Inês. Segundo a
advogada, os pontos prioritários da revisão devem ser o motor, a caixa de
câmbio, amortecedores, freios e correia dentada. Verificar se há vazamento de
óleo também é importante para uma compra segura.
Garantia não pode ser restringida
O carro da consumidora Graziele Borsatto foi consertado sem grandes transtornos,
apesar da resistência inicial da loja, conforme relata a consumidora. “Quando
apareceram os primeiros probleminhas, o vendedor nos destratou. Disse que ia
fazer um favor em arrumar, apesar de ter sido combinado que qualquer problema
que aparecesse nos primeiros cinco dias seria resolvido prontamente.”
Graziele diz que, de início, a loja não iria consertar a suspensão, alegando que
ela não estava na garantia. “No papel do check list está dito ‘três meses de
garantia’, com todos os itens ticados. Você subentende que todos eles estão na
garantia.” O contrato assinado entre a concessionária e a cliente, no entanto,
previa que apenas motor e caixa de câmbio estavam na garantia, válida por três
meses. “Por que a suspensão não está na garantia? É um absurdo, porque é questão
de segurança”, questiona.
Segundo a coordenadora de atendimento ao cliente do Grupo Barigüi, Luciana
Esteves Fernandes, a garantia varia de acordo com o ano do veículo, as condições
gerais do carro e a quilometragem. “Tudo isso é explicado no momento da compra.”
Luciana também destaca que a loja está aberta a negociações com o consumidor em
caso de problemas. “Nós sempre procuramos fazer alguma proposta, ou consertar
pelo preço de custo. Sempre vamos atender o cliente.”
Responsabilidade
A advogada do Procon-PR, Cila Mendes dos Santos, alerta que a garantia não pode
se restringir a determinadas partes do veículo, e nem variar de acordo com ano,
quilometragem ou condições gerais do carro. “Se o fornecedor começa a restringir
a garantia, provavelmente é porque há muitos defeitos nos aspectos que não estão
contemplados por ela. O mínimo que eles têm de fazer é entregar o carro em
condições de uso ao cliente. Se eles entregam sabendo que vai dar problema, a
responsabilidade é deles.”
Cila lembra que a garantia legal para veículos é de no mínimo três meses, e vale
para todas as partes do carro. Contratos como o que Graziele firmou com a
concessionária, que limitam a garantia, seriam anulados pelo Código de Defesa do
Consumidor, porque tiram do cliente um direito que ele possui.
Quando o veículo recém saído da concessionária apresentar qualquer defeito, as
reclamações devem ser feitas sempre por escrito e enviadas à empresa, contendo
todas as especificações dos problemas apresentados. A recomendação é da advogada
da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste), Maria Inês Dolci. O
conserto deve ser efetuado em até dez dias. Caso contrário, o cliente deve
procurar um órgão de defesa do consumidor ou o Juizado Especial Cível para
exigir seus direitos.
* Fonte Gazeta do Povo |